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O emprego formal no Espírito Santo em 2020: uma olhar sobre as microrregiões capixabas e os impactos da covid-19

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As análises realizadas pelo Observatório do Desenvolvimento Capixaba – ODC já apontavam que 2020 seria um ano de desafios tanto para a economia brasileira quanto para a economia capixaba. Em termos da dinâmica do mercado de trabalho, o país havia fechado o ano de 2019 com taxa de desemprego de 11,9%, o que representa quase 12 milhões de desempregados. Soma-se a isso o fato de que em janeiro de 2020 a informalidade foi uma dura realidade para 40,7% da população ocupada, atingindo 38,3 milhões de trabalhadores. A taxa de trabalhadores subutilizados representava 23,2%.

No dia 26 de fevereiro de 2020, foi registrado o primeiro caso de Coronavírus no país e em meados de março o primeiro no Espírito Santo. Aos desafios que já eram prementes, sobrepôs-se, então, a crise decorrente da necessidade de isolamento social e paralisação de algumas atividades econômicas. A partir daí, os impactos da pandemia sobre o mercado de trabalho no país e no Espírito Santo foram significativos.

Em junho, o IBGE divulgou os dados do emprego mais recentes mostrando que de março a maio a taxa de desemprego no país chegou a 12,9% o que representa mais de 12,7 milhões de desempregados. Em relação ao trimestre anterior, o Brasil fechou quase 7,8 milhões de postos de trabalho, elevando de forma substancial a taxa de desocupação da força de trabalho que atualmente é superior a 50%, isto é, o país possui mais pessoas desocupadas que ocupadas.

No Espírito Santo, os impactos da Covid-19 sobre o emprego formal dos capixabas também foram intensos. Como pode ser visto no Gráfico 1, embora o estado tenha ensaiado uma retomada no início do ano, com a chegada do Coronavírus (com o primeiro caso em 14 de março) e a consequente paralisação imediata de algumas atividades econômicas, a queda no emprego foi intensa. De janeiro a maio, foram fechados 25.487 postos de trabalho formais no Espírito Santo.

 

GRÁFICO 1 – ESTOQUE DO EMPREGO FORMAL – ES JANEIRO A MAIO 2020

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do CAGED (2020)

 

O DESEMPENHO DO EMPREGO FORMAL DE JANEIRO A MAIO DE 2020 NAS MICRORREGIÕES CAPIXABAS

Embora, para período de janeiro a maio, alguns municípios tenham obtido saldos positivos no emprego formal, quando se avalia o desempenho nas microrregiões capixabas, observa-se que todas elas, principalmente afetadas pela COVID-19, apresentaram saldo negativo no emprego formal em 2020. O gráfico abaixo mostra que, em números absolutos, a Região Metropolitana da Grande Vitória foi a que apresentou maior queda acumulada, o que significou o fechamento de mais e 18 mil empregos formais.

 

GRÁFICO 2 – SALDO LÍQUIDO DO EMPREGO FORMAL  POR MICROREGIÃO  NO ESPÍRITO SANTO -  JANEIRO A MAIO 2020

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do CAGED (2020)

Contudo, o número absoluto da queda de emprego pode dar uma dimensão equivocada do impacto nas microrregiões capixabas. Por isso, é preciso perceber o impacto em termos proporcionais (ou seja, considerando a variação do estoque de emprego formal em maio em relação ao início do ano de 2020). Por essa ótica, as maiores quedas ocorreram no interior do estado, mais especificamente nas microrregiões Litoral Sul (-5,35%) e Sudoeste Serrana (-4,38%). A Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV),  que representa mais de 50% do emprego formal capixaba, teve queda de 4,17%, ficando em terceiro lugar.

O gráfico abaixo mostra proporcionalmente o quanto cada microrregião perdeu de emprego formal em relação ao estoque em 1 de janeiro.

 

GRÁFICO 3 – DESEMPENHO DO EMPREGO FORMAL NAS MICRORREGIÕES DO ESPÍRITO SANTO – VARIAÇÃO DE  JANEIRO A MAIO 2020

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do CAGED (2020)

 

Já a tabela abaixo mostra como essa queda aconteceu em termos setoriais. Como se pode perceber, o comércio e a indústria foram os setores mais impactados, apresentando saldo negativo em todas as microrregiões.

 

TABELA 1 – SALDO LÍQUIDO DO EMPREGO FORMAL NO ESPÍRITO SANTO, POR MICRORREGIÃO, POR SETOR DE ATIVIDADE – JANEIRO A MAIO DE 2020

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do CAGED (2020)

 

O DESEMPENHO DO EMPREGO FORMAL NAS MICRORREGIÕES CAPIXABAS, EM MESES AFETADOS PELA COVID-19

 

Quando se pensa especificamente no período de março a maio, em que a economia sofreu mais diretamente o impacto das decisões de isolamento e paralisação de algumas atividades econômicas, é possível ver que mesmo as microrregiões que esboçaram alguma reação e saldo positivo no emprego formal no início do ano, acabaram apresentando, de março até maio, uma reversão, fazendo com o que o saldo ao final fosse negativo. Casos como a Metropolitana e a Rio Doce que apresentaram saldos positivos em janeiro/fevereiro próximo a mil empregos, reverteram severamente a tendência.  

 

GRÁFICO 4 – DESEMPENHO DO EMPREGO FORMAL NAS MICRORREGIÕES DO ESPÍRITO SANTO ENTRE JANEIRO/FEVEREIRO E MARÇO/ABRIL/MAIO 2020

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do CAGED (2020)

 

De forma geral, o que se pode observar é que apesar da reabertura ou da flexibilização do funcionamento de algumas atividades econômicas em alguns municípios, ainda não se pode observar uma reação do emprego formal nas microrregiões capixabas. Vale dizer ainda que essa reação dependerá muito do impacto e continuidade dos estímulos dados à economia, tanto para restaurar o poder de compra da população como para amenizar a paralisação dos fluxos de caixa das empresas.

REFERÊNCIAS:

Programa de Disseminação das Estatísticas do Trabalho (PDET). Disponível em:  http://pdet.mte.gov.br/novo-caged. Acesso em 07 de Julho de 2020.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Indicadores para população de 14 anos ou mais de idade Disponivel em : ftp://ftp.ibge.gov.br/Trabalho_e_Rendimento/Pesquisa_Nacional_por_Amostra_de_Domicilios_continua/Mensal/Quadro_Sintetico/2020/pnadc_202005_quadroSintetico.pdf. Acesso em 05 de Julho de 2020.

 

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